Seminário 3
A transição dos projetos políticos para a realidade fática das estruturas produtivas sempre foi um tema delicado para a América Latina. Historicamente, interesses regionais acabam se sobrepondo aos planos nacionais e acabamos por repetir o processo de desenvolvimento por “enclaves” na região. Áreas urbanas, notavelmente densas, concentram investimentos, oportunidades e riquezas e acabam por conviver com entornos empobrecidos com pouco ou nenhum acesso a bens públicos. Esse sistema de enclaves (muito bem descrito por Gabriel Garcia Marquez em Cem Anos de Solidão) é, talvez, o modelo a ser evitado dentro do processo de desenvolvimento digital. Neste sentido, a ação dos governos e do Estado, propriamente dito, se faz absolutamente necessária para se contrapor aos fluxos econômicos de continuidade histórica que comandam o assentamento de recursos nos territórios. O convidado especial do terceiro seminário foi o neurocientista Miguel Nicolelis. Ele abriu o terceiro seminário trazendo uma experiência ímpar de alocação de recursos e transformação real dos territórios através do Instituto Santos Dumont (ISD) 21, que opera há mais de 10 anos no nordeste (mais especificamente em Marcaíba, na periferia de Natal), e cuja contribuição, tanto para a formação de jovens cientistas brasileiros, quanto para os estudos sobre eletrofisiologia, já impactam as inovações brasileiras no tema. Inspirado em Dumont, segundo Nicolelis, “o maior cientista brasileiro”, o instituto compõe não apenas um centro de neurociências avançadas no Brasil, mas uma escola de ensino fundamental e médio, que rompe com os modelos de desenvolvimento por “enclaves” e convida a pensarmos os territórios da América Latina por suas potencialidades humanas. O inspirado cientista brasileiro refl etiu sobre a relação histórica entre as cadeias de inovação e o “gap” tecnológico da região dentro da perspectiva digital. Ele articulou que Santos Dumont havia se ressentido de que o 14Bis22 havia voado em Paris em 1906, mas nunca pudera voar “sob a luz do Cruzeiro do Sul” 23. Esse apelo histórico e poético guarda uma reflexão sobre as colonialidades do sul global e como elas afetam a produção de conhecimento em nosso hemisfério. A resposta de Nicolelis foi fazer com que seu projeto de ensino e pesquisa “voasse” sob a luz da constelação sulina.
- Semicondutores
- Indústria 4.0
- Parques tecnológicos
- Economia digital
- Software livre
- Conectividade
- Políticas de desenvolvimento nacional
- Investimentos em pesquisa
-
- Andrea Armijos – Equador
- André Barbosa – Brasil
- Armando Herrera Reyes – El Salvador
- Cecília Leite Oliveira – Brasil
- Cristina Shimoda Uechi – Brasil
- Diego Cajade Diotti – Uruguai
- Eduardo Velázquez – Uruguai
- Elías Humberto Peraza Castaneda – El Salvador
- Fernando Horta – Brasil
- Gonzalo Valenci – Argentina
- Kerlla de Souza Luz – Brasil
- Ledénika Mackensie Méndez González – México
- Marcela Monge Campos – Costa Rica
- Maria Belén Gómez – Equador
- Maria del Pilar Araneta – Argentina
- Maria Luiza Lopes da Silva – Internacional
- Miguel Angelo Laporta Nicolelis – Brasil
- Robinson Zapata – Panamá
- Rossana Moura – Brasil
- Tamires Sampaio – Brasil
- Tiago Emmanuel Nunes Braga – Brasil
- Yuri Aldoradin- Peru
- Zaile Barahona Moraes – Costa Rica
Contato
odis@ibict.br